segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Beleza pura.

O jornaleiro aqui da esquina da minha casa é gremista. Um negro magro, mais ou menos metro e oitenta de altura, extrovertido daquele jeito que parecem só os negros saberem ser. Sempre que passo por ele quando vou pra faculdade, ele me cumprimenta comentando algo sobre a rodada que passou e coisas do tipo. Essa manhã, vi de longe ele encostado no poste olhando os próprios pés. Estava extremamente cabisbaixo. Antes mesmo de ele me cumprimentar de maneira triste, essa visão já acabou com o meu dia.
Mas o que me incomoda mais não é o fato de o Grêmio ter sido apático por boa parte do jogo; o juiz ter roubado de maneira descarada, depois de o mesmo ter acontecido no jogo contra o CAP e terem também garfeado o Náutico no jogo contra a Traffic; termos tomado tantos gols pela primeira vez, no nosso próprio salão de festas nem qualquer fato do gênero.
Nada disso me incomoda mais do que o fato de eu não estar lá. Naquele que talvez tenha sido o jogo mais importante do ano, quando o time mais precisou de mim, eu não consegui me fazer presente. Sei que não tenho tanta culpa, fiz o que pude. Estava no Olímpico até o último segundo antes de a escolta sair rumo ao aterro, tentando ingresso. Mas não deu, e o meu primeiro Gre-nada auei longe do estádio, resulta em uma redundante derrota. Tem como não se sentir culpado? Essa será, provavelmente, uma daquelas máculas carregada por muito tempo.
Mas o alento é que ainda somos líderes, por mais que todos os jornais de todos os lugares atentem pra liderança – dividida com o Grêmio – da Traffic. Ontem eu vi aqueles jornalistas que nunca chutaram uma bola, que nunca pisaram em uma arquibancada, falarem bobagens de todos os tipos. Desde indagações sobre a possibilidade do SC 2006 chegar a frente do Grêmio, até o suposto fato de os torcedores marginais tricolores serem culpados por, mais uma vez, sofrerem com a truculência e falta de preparo da brigada militar. Mas nada disso importa. O Grêmio vai levar essa taça.

P.s.: Não é só um jogo. Argentina x Brasil, Inglaterra x Argentina, Itália x Alemanha, Irã x Iraque, Palmeiras x Corinthians, Manchester United x Manchester City, Rangers x Celtic, todos esses, são só jogos. Joguinhos inocentes. Mas quando é o Grêmio em campo, é diferente. Muito diferente. Vocês gostam de futebol, nós amamos o Grêmio!


P.p.s.: Desde 2006 não eram vistos!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Tentei, mas não consegui.

Eu não ia escrever mais sobre política nesse blog. Tinha um acordo comigo mesmo de que não mais o faria, por ser algo dispensável, nesse espaço. Ninguém se interessa em ler sobre política, e mais, raramente uma pessoa muda as suas opiniões quando se trata de política.
Mas eis que me vem a luz. A Luz, eu diria. Descobri o problema do povo, do país, quiçá do mundo: o modo como as pessoas enxergam as eleições. Atualmente, e principalmente no Brasil, as pessoas vêem nas eleições uma oportunidade pessoal. Seja diretamente, através de favores políticos, comida para a família se alimentar, um emprego no futuro; ou pela forma como a pessoa raciocina na hora de escolher o seu candidato mesmo.
A questão é que as pessoas, pelo que eu vejo no meu dia-a-dia, só se importam com qual candidato lhe favorecerá, direta ou indiretamente. Mas aqueles que pensam realmente em qual candidato vai ser melhor no geral, para o seu estado, cidade, bairro ou até mesmo cidade, são raros. Isso não importa. Até porque parece um benefício tão distante, que é difícil importar mesmo.
Mas acredito que até esse problema, seja algo indireto. Por que qual seria a solução para esse problema? Educar os cidadãos, ensinar como as coisas funcionam, proporcionar informações para os mesmos. Ou seja, no fim das contas, o verdadeiro problema do país é realmente a educação. Puxa vida, acho que descobri a roda.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Mi hermano del alma.

É normal alguém procurar seus amigos mais próximos pra falar dos seus problemas, muito normal. Eu faço isso. Só que eu sempre cuido pra perguntar também como esse amigo próximo está, se ele não tem também problemas pra compartilhar comigo.
Acho que eu sou mal acostumado. Sempre tive uma família inteira na volta. Mesmo com os meus pais compreensivelmente muito ocupados, eles se faziam presentes. E quando eles não podiam, sempre tinha meus irmãos para compartilhar a alegria mais banal e a tristeza mais profunda.
E agora, tenho que me acostumar a não ter isso. Sinto falta principalmente na mesa, que era quando todos nos reuníamos para falar das coisas do cotidiano, das notícias, das tragédias trazidas quentinhas pela minha avó e et caterva.
Por que estou escrevendo isso? Amanhã é aniversário do meu irmão caçula e acho que pela primeira vez, em anos, passarei essa data longe dele.
É praticamente uma vida inteira, com exceção de alguns anos da minha infância em que morei no interior com a minha vó e minha irmã. Uma das pessoas mais importantes na minha vida, que eu me acostumei a sempre ter por perto. Acho que ajudei a ensinar ele a jogar bola, a ter hombridade, a amar o Grêmio como se deve realmente amar esse time espetacular, dentre outras coisas talvez não louváveis que é melhor não citar.
A saudade que sinto dele, assim como da minha mãe, é simplesmente indescritível. Tudo o que eu queria era poder abraçar ele e dizer o quão importante ele é e foi na minha vida; que desejo tudo do melhor pra ele mesmo, todas as experiências válidas, mesmo que eu não possa estar junto dele como queria no momento em que ele as aproveitar. Todas essas coisas que só dá pra dizer pra um irmão, que é ao mesmo tempo melhor amigo, melhor parceiro, um dos orgulhos da tua vida.
Mas, ao invés disso, tenho que me contentar em "só" escrever. E comer sozinho, com a companhia única e exclusiva de Drácula de Bram Stocker. Mas não tem problema, tenho confiança de que será um daqueles males que vêm para o bem.
Enfim, à saúde e felicidade do cara, o meu irmão!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dessa vez, me renderei.

Só dessa vez. Todo mundo sabe da minha ojeriza para com a emissora de televisão Globo, e consequentemente com a RBS. Mas acabo de ler o trecho de uma reportagem sobre a partida disputada entre Grêmio e Vitória neste domingo, dia três de agosto, que me emocionou. E muito. Segue o trecho:


"O time dava segurança, criava chances e não dava muito espaço ao Vitória. A certa altura do segundo tempo, por exemplo, (a torcida) desatou a cantar o Hino Rio-grandense. Assim, do nada. A Geral deu o tom e, logo, o estádio inteiro se enchia do orgulho farroupilha. Lembram de quando isto acontecia sempre? Nos tempos de Luiz Felipe. Não que seja o caso de comparar, mas o gremista está particularmente orgulhoso, esta é a questão. Outro exemplo: a milagrosa defesa de Victor no cabeceio de Leonardo Silva, com a mão esquerda, após cobrança de escanteio."


Pode parecer bobagem, quase idiotisse. Mas quem viveu os tais "tempos do Luiz Felipe", sabe o que era aquilo. Finalmente uma boa sensação toma conta. Tomara que não seja alarme falso.




Link da matéria.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Brilhante!

O filme Batman - The Dark Knight é realmente brilhante. E eu não digo pelas coisas exaustivamente já elogiadas em todos os lugares, como a atuação de Heath Ledger que de fato rouba a cena, os ótimos efeitos, fotografia e maquiagem, o bom desenvolvimento da história que permitiu que até a minha mãe achasse ótimo, enfim, todas essas coisas elogiáveis. Mas o que realmente me agradou foi a mensagem com embasamento anarquista do filme.
Claro que do diálogo entre os personagens Coringa e Duas Caras, muita gente tirou a conclusão de que o anarquismo é algo dispensável, que só gera confusão, caos e mortes e não deve ser levado a sério. Mas os realizadores do filme e talvez o próprio autor das HQ's - quanto a isso não posso afirmar nada com alguma certeza, pois infelizmente nunca me dediquei à leitura de nenhuma História em Quadrinho - conseguiram, de forma extremamente sutil, passar uma mensagem anarquista positiva.
Muita gente não sabe, mas muitos crêem no anarquismo como um estado passageiro para finalmente chegar ao ponto ideal de convívio. Só a partir do caos total e de um início realmente do zero poderíamos corrigir inúmeros erros que cometemos em um ciclo vicioso. Claro que o vilão, por ser justamente um vilão, não esperava que o caos passasse. Mas em mais de um momento, personagens aparentemente secundários deram a entender que é necessário uma piora gradativa antes de melhorar verdadeira e essencialmente. É um filme praticamente positivista!
Enfim, além de um ótimo filme para família, para cinéfilos, fãs do Batman, ainda traz algumas mensagens para reflexão. Brilhante! Vale cada centavo investido para assisti-lo, mas ainda assim temo pelo resultado de uma versão dublada futuramente apresentada em algum canal da rede aberta de televisão.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Quando as coisas estão saindo erradas...

Tinha um post descente em mente, em que eu citaria algumas palavras de Michelet sobre a importância do arquivista e da História, de como ela se repete e etc. Ando meio mau humorado mas resolvi escrever pra ver se isso passava, essas coisas. Mas, é claro, quando procurei no livro em que li tais palavras, não as encontrei de jeito nenhum! Aposto que daqui uns dias as encontrarei.
A partir destas palavras, ia comentar que a história normalmente se repete - tema que por sinal é abordado de maneira extraordinária no ótimo livro Cem anos de solidão, do Gabriel García Márquez - e citar alguns exemplos disso, essas coisas.
Claro, pode-se argumentar que se a pessoa quiser ela pode evitar que se repita, que cada pessoa faz o seu destino e toda essa conversinha típica de filme positivista holywoodiano. Mas na realidade isso parece estar meio fora do alcance em alguns momentos. Aquela hora que tu consegue ver que é algo que já aconteceu antes e que se deixar acontecer de novo, vai dar errado de novo, mas mesmo assim parece impossível de impedir que aconteça.
Dessa vez, não tenho nenhuma idéia mirabolante pra superar isso. Não sei mesmo. Muito menos tendo que ver a Globo falando do supervalorizado Flamengo do "Galinho" com nostalgia, o mesmo time que foi sumariamente massacrado pelo time do Grêmio que conquistou tudo na década de oitenta, sem ajudas alheias e que merecia reconhecimento da emissora antes citada por estar prestes a comemorar os 25 anos de conquista da América. Tudo bem, aí já é pedir demais, mas será que é demais esperar que eles não fizessem isso e mais, que não emendassem um comentário lamurioso porque o triatleta Robinho não vai para as Olimpíadas de Pequim? Como me preocupa a ausência dele nesse momento.
Enfim, pra não jogar uma idéia fora, vou colocar pra encerrar esse post o que eu tinha em mente pra encerrar aquele post que eu citei algumas linhas acima.


Quem furta pouco é ladrão
Quem furta muito é barão
Quem mais furta e esconde
Passa de barão a visconde

Em tempos de escândalos de todos os tipos, de homenagem da Câmara dos Vereadores a um prostíbulo, de alianças de ex-PFL com PC do B, dá pra adivinhar que esses versos são do século XIX, com relação ao estranho critério utilizado para conceder títulos de nobreza para alguns cidadãos?


Oh no, it happened again
She's cool she's hot she's my friend



Errar é humano. Mas insistir no erro...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

FLIP.

Por isso é brabo de criar expectativa. Nas férias desse verão, conheci a bela cidade fluminense Paraty. Bela mesmo, sem ironias. Carregada de história, louvável ou não, com bares bacanas, natureza não tão prejudicada e muito agradável, pessoas interessantes. Nessa ocasião, me falaram da FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Pelo nome, pelos comentários, esperei por algo ótimo, interessantíssimo, com muitas palestras e livros interessantes e acessíveis.
Mas, como diria a querida professora Cudi Ampola, do desenho animado Fudêncio, ponto negativo! Quando visitei a Festa no início do mês, me deparei com algo extremamente elitista. Encontrei somente um local com livros à venda. Como um bom apreciador de livros, até gostei do espaço; livros variados, apesar de não ter alguns básicos como David Coimbra, encontrava-se facilmente Fernando Pessoa, Luis Fernando Verissimo, Nelson Rodrigues, dentre outros.
O problema é que eu esperava mais. No fundo, pela propaganda, pelas opiniões, pela mídia em cima, esperava algo muito melhor do que a Feira do Livro de Porto Alegre. Mas me deparei com algo limitado. Livros, eram só os clássicos, ou lançamentos. Dificilmente encontrava-se alguma raridade ou algo um pouco mais difícil de ser encontrado. A maioria das palestras interessantes custavam uma certa quantia de dinheiro. A área de alimentação da Festa me lembrou os cafés dos ditos bairros nobres de Porto Alegre pelo seus clientes e, muito provavelmente, pelos seus preços. E, o cúmulo, cordão de isolamento para escritores passarem no meio do público "normal" da Festa.
Claro que para quem dispõe de dinheiro pra gastar com muitos livros, palestras, e essas coisas que podem ser interessantes, é algo muito bom. Nem digo que esse não é o meu caso. Mas ao mesmo tempo me indigna ver a grande maioria dos moradores de Paraty participando da FLIP quase que única e exclusivamente ao tirar proveito financeiro dos turistas que visitam a cidade. Acho até que não teria nada de errado com essa Festa, se não fosse divulgado em todos os meios que a Festa é "abrangente e de cunho social". Ora, é claramente de cunho financeiro, para as únicas três (!!!) editoras que são autorizadas a venderem seus livros ali e para os organizadores.
É por e essas outras que prefiro a Feira do Livro de Porto Alegre, com acesso irrestrito, praça de alimentação com preços acessíveis e salgados, inúmeras editoras, escritores andando tranquilamente pelas bancas e até mesmo os pedintes que às vezes, e infelizmente, surgem por lá. Podem me chamar de bairrista, ou o que for, não me importo. Que venha outubro. Que venha o meu aniversário. Que venha a nossa Feira do Livro.

sábado, 5 de julho de 2008

Dor de verdade?

Realmente, me arrisco a cair no clichê. Quem me conhece, sabe que se tem coisa que eu evito ao máximo, é um clichê. Mesmo que seja um daqueles clichês relativamente agradáveis, eu evito. Não gosto, de repente é uma coisa ainda de adolescente, de querer ser único e diferente de todos. O que é algo muito contraditório, pra quem gosta de manter as tradições. Mas, eu falava da dor de verdade.
Nesses meus alguns anos de vida, já senti algumas dores... Muitas físicas, dentre as piores, a de queimar um braço ao explodir uma garrafa de álcool na própria mão e a de quebrar os dois dentes da frente. Sim, eu era/sou um anjo e sim, eu já senti algumas dores consideráveis. Mas acho que realmente, por mais que eu tenha procurado de todas as formas negar aquela música do brahmeiro, a saudade é a pior dor.
E aí me refiro a todas as saudades. A saudade dos meus tempos de infância, de correr com uma gurizada pela rua atrás de uma bola velha e murcha; de subir em árvores, pegar frutinhas desconhecidas nelas e até mesmo cair das mesmas.
Saudade das pessoas que estão longe. De ter aquelas conversas cotidianas com essas pessoas, de incomodar as mesmas nos momentos mais imprórios, de discursar sobre como eu seria capaz de mudar o mundo com as minhas idéias inovadoras. E, o melhor, ver que elas realmente acreditam.
Tem ainda aquela falta das pessoas que estão longe, mas não vão voltar. Talvez uma das piores saudades, porque junto a essa, em alguns casos, vem junto a saudade da infância, a saudade de quem está longe, todas as lembranças boas e ruins; mas, o pior, saber que não vai poder voltar atrás pra desfazer todos os erros que cometeu com quem não volta mais, nessa vida.
Agora, eu tenho saudade também da minha adolescência. Tudo bem, talvez eu ainda seja meio adolescente, mas não é mais aquela coisa do ensino médio, em que a minha vida se resumia a esperar ansiosamente pelo próximo fim de semana, imaginando qual seria o novo lugar e as novas formas que a gurizada e eu encontraríamos para nos divertir, conseguirmos encher a cara satisfatoriamente e essas coisas.
E agora, pensando nisso tudo, acho que em todos esses momentos reinou um sentimento: confusão. Sempre fui muito confuso, instável. Mas ainda assim, no fundo, tenho um palpite de que uma hora encontrarei um algo ou alguém que vai me ajudar a ter mais certeza das coisas. Ou talvez não seja exatamente isso, às vezes penso que é só o caso de me acalmar mesmo. Quem sabe...




Post-scriptum: Acho que esse post não tem lá uma qualidade muito grande, mas foi mais pra organizar meus pensamentos do que qualquer outra coisa.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Tentativa

Oito horas e quarenta dois minutos de uma gelada noite de domingo. Mais um daqueles domingos modorrentos, sem nada pra fazer e com muito para pensar. Carlos Augusto - nome que ele odiava, não entendia por que a mãe tinha de pôr um nome composto nele - estava sentado no banco de uma praça próxima à sua casa, no subúrbio de uma cidade da região metropolitana de Porto Alegre, pensando em como queria fumar mais um cigarrinho ilícito pra fechar o fim de semana com chave de ouro. Na noite anterior, ele já havia fumado alguns, enquanto passava a madrugada em claro assistindo filmes no estilo Cine Privè e Cheech & Chong.
O problema é que ele não tinha mais. Não plantava - certa vez até tentou criar uma mudinha em casa, dando explicações estapafúrdias à mãe quando era indagado a respeito da estranha planta, mas a sua inaptidão como agricultor acabou matando a inocente planta - e não tinha mais dinheiro para comprar com o seu fornecedor de sempre, amigo de infância e ex-colega de escola. A única alternativa que ele ainda conseguia enxergar era drástica, mas talvez necessária: assaltar uma casa vazia, pegar alguns pertences e trocar pela droga. Ele havia prometido a si mesmo, depois de ser preso uma vez fazendo isso, que não mais recorreria a esse artifício. E pretendia cumprir a sua promessa.
Mas aí o tal do diabinho falou mais alto. Afinal, ele escolheria uma boa casa, de uma família provavelmente abastada, mais que ele ao menos e com certeza menos necessitada. Era isso, estava decidido. Saiu caminhando por uma rua próxima à praça em que estava, procurando por uma casa que pudesse estar deserta. Caminhou umas duas quadras com casas com luzes, televisores ligados no Fantástico, Bate-Bola e em outros vários programas, quando encontrou a casa aparentemente perfeita.
Uma casa de dois andares, o típico sobrado, exatamente em uma esquina, com as luzes todas apagas. Como era relativamente cedo, ele deduziu que não estavam dormindo e, consequentemente, a casa estava vazia. Na base da casa, no térreo, haviam tijolos à vista até mais ou menos metro e meio de altura, onde começava a parede de fato da construção. Em algum tempo ela devia ter sido branca, mas agora já apresentava um tom amarelado, com marcas de bola embarrada por toda a parede e pichações feitas com corretivos escolares nos tijolos. De gosto duvidável a aparência da casa, mas com certeza no interior dela deveria haver algum objeto de valor.
Entrar na casa foi relativamente complicado. Próximo à casa, havia uma árvore que, ocasionalmente, tinha alguns galhos largos e aparentemente fortes que inclinavam para a sacada do segundo piso. Como Carlos Augusto era bem magro, apesar de muito alto, resolveu arriscar. Trepou na árvore como se fosse um guri de Uruguaiana com seus sete anos e foi cuidadosamente até a beira do galho que melhor proporcionava a aproximação à sacada. Depois de chegar, entrar foi fácil, visto que por descuido dos moradores a porta da sacada estava destrancada.
No interior da casa, viu que tinha razão. Era uma casa de família de classe média, talvez média-alta. Depois de revirar algumas gavetas e armários sem saber ao certo o que levar, achou o objeto perfeito: um televisor de plasma, provavelmente de vinte e nove polegadas. Desligou-o da tomada e saiu naturalmente da casa pela porta da frente, depois de encontrar num chaveiro pendurado na parede próxima da porta da casa o molho de chaves da residência.
Depois de caminhar umas poucas quadras até a casa do amigo, conseguiu o tanto de cigarrinhos que tanto queria. Depois de praticamente acender um em outro, coisa que teria feito se fosse possível, terminou com eles. Todos, não sobrou nenhum. E o Carlos queria tanto mais um. Mas queria tanto, que tomou a decisão na hora: voltaria à casa e roubaria outra coisa. Quem sabe um rádio, no mínimo um cigarro renderia. Sem falar que dessa vez seria mais fácil, tinha as chaves da casa, seria difícil subir na árvore no estado em que se encontrava.
Chegando ao já familiar sobrado da esquina, ele adentrou a sala de estar que ficava muito próxima da entrada da casa e visualizou um enorme e confortável sofá. Foi então que ele se lembrou que, mesmo que tivesse passado uma maravilhosa madrugada em claro, com incríveis idéias e viagens, ele não havia dormido ainda! As pálpebras pesaram mais que nunca, a cabeça começou a doer e ele se sentiu muito cansado. "Isso tudo é psicológico mesmo", pensou ele. Resolveu tirar um cochilo pra ficar melhor e então voltar ao seu amigo fornecedor com outro presentinho. Estava tão "alto", que não percebeu o perigo que corria.
Acordou cerca de duas horas depois, que pra ele pareciam ter sido dois minutos. Quatro policiais lhe olhavam, em uma iluminada sala de estar, com expressões que misturavam espanto e deboche. Só percebeu que voltaria ao inferno do xadrez quando a viatura em que estava se aproximava da já conhecida delegacia da cidade.




------



Estória, inspirada por uma inacreditável história. Resolvi escrever em cima, e foi o mais próximo que consegui chegar de uma possível realidade. Acho que ficou meio longo e talvez cansativo já que não tem diálogos, mas é o primeiro, peço um desconto!

Link da história: "Ladrão invade casa em Canoas e dorme no sofá"

sexta-feira, 30 de maio de 2008

De renguear cusco.

Temperatura agora (ao meio dia e trinta e três minutos): 9°



Uma onda de ar gelado que avança sobre o Rio Grande do Sul deverá bater o recorde de frio desde o início do ano. [...]

O período mais gelado ocorrerá entre o final da madrugada de amanhã, quando a temperatura mínima pode ficar entre 0°C e -4°C na região próxima a São José dos Ausentes. Na Região Metropolitana, a mínima esperada deve variar entre 0°C e 4°C.



Será que teremos neve em Porto Alegre de novo? Enfim, é o meu Rio Grande do Sul...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Um verdadeiro jogador de futebol.

Segue uma matéria, retirada de uma comunidade do Orkut, sobre o ex-volante do Grêmio, o glorioso Dinho. Segundo o autor do tópico, é uma matéria do David Coimbra, no ano de 1997. É meio grande, mas vale a pena ler, para que não se esqueça como era ter um jogador que agisse como ser humano, que não se importava em ser politicamente incorreto e não agir como um robô. Digo, prostituta. Digo, profissional. Segue a matéria:




Dinho é um homem mau. Pelo menos é o que todo o Brasil pensa. E ele não faz questão de negar. Seu problema não é a imagem que fazem dele. Seu problema é que tem uma missão a cumprir. Dinho precisa parar os atacantes que conspiram para marcar gols no Grêmio. É para isso que ele está onde está. Por isso usa o número 5 às costas. Para isso, não hesita em dar um chutão rumo às nuvens sobre o Estádio Olímpico. Nem sofre com dores de consciência quando tem de pespegar a canela de um adversário com um sempre enérgico pontapé. Com a serenidade dos homens que vão para casa com o dever cumprido, Dinho explica, quase candidamente: “É o que esperam de mim”.

Dinho veio de longe, da pouco famosa Neópolis, no Sergipe. Chamam-no “Cangaceiro”. Raros conhecem seu nome. Foi batizado, há 30 anos, Edi Wilson José dos Santos. Ele não sabe bem o porquê do Edi Wilson, suspeita que sua mãe gostava do cantor da Jovem Guarda. “Mas nunca escutei uma música dele, não”, admite. Ele gosta mesmo é de ouvir os nordestinos do “Flor da Terra”, cujo lamento se espraia a partir das caixas de som da sua picape branca: Bandoleira, pistoleira, teu amor maltratou meu coração, me trucidou!


Dinho acompanha a letra cantando baixinho e, depois, comenta, sensibilizado: “A música é sobre uma vagabunda”. Nestes momentos, Dinho nem parece ser um homem mau. Porque Dinho também canta, também ri com os amigos e, um dia, se apaixonou. Foi quando ainda morava em Neópolis. Trabalhava no ginásio de esportes, varria a quadra, acendia e apagava as luzes. Uma tarde, seus olhos de samurai deram com os de uma moça que morava em frente ao ginásio. Pronto: os times que jogavam na quadra podiam estourar o horário à vontade que o encarregado estava sempre namorando. Pouco tempo depois, casou-se com Luciene. Hoje, tem dois filhos com ela. Dia desses, Luciene apareceu na TV, em uma reportagem sobre o marido. O repórter decidiu brincar com ela e perguntou: “Em campo o Dinho é brabo, mas em casa quem manda é você, não é?” Os lábios de Luciene desenharam um meio sorriso e ela ciciou, tímida: “É. Quando ele não está em casa, quem manda sou eu”.

Dinho é assim. Sempre foi assim, o Cangaceiro, o líder do time, desde seus tempos de Confiança, no Sergipe, até ir para o Sport, onde foi campeão brasileiro, em 1987, ou no São Paulo, de Telê Santana, que conquistou o mundo em 1992 e 93. Só no Santos, em 1994, Dinho não foi muito bem. Mas em seguida chegou ao Grêmio para tomar a América de assalto. É este líder que hoje volta a treinar normalmente, depois de quase três meses de afastamento. Dinho saiu do time, lesionado, em 20 de maio passado, noite da primeira partida da final da Copa do Brasil, contra o Flamengo. Passou por uma cirurgia no joelho direito e, neste período, viu o Grêmio descambar do Olimpo dos campeões para as trevas dos derrotados. Dinho planeja voltar ao time no Gre-Nal de 24 de agosto. “Se o técnico quiser”, ressalva. Deve querer. Que técnico não ia querer escalar um cangaceiro à frente da área?


Zero Hora – Sua principal característica é a marcação forte, a pegada. Sempre foi assim?

Dinho – Não. Eu comecei como meia-direita e gostava muito de driblar, armar jogadas. Adorava dar o passe para os outros fazerem gol. Centroavante que jogava comigo fazia um monte de gol. Eu era assim tipo Émerson.

ZH – Como houve a mudança?

Dinho – Em 1987, o Antônio Lopes era técnico do Sport e o volante titular, o Rogério, se machucou. Ele pediu que eu jogasse de volante e aceitei. Gostei tanto que hoje nem penso em jogar em outra posição.

ZH – Naquela época chegou a acontecer algo parecido com a briga com o Válber naquela partida entre Grêmio e Palmeiras em 1995?

Dinho – Ah, sim. Uma vez, num clássico com o Santa Cruz, o Lula, zagueiro deles, deu uma voadora no João Pedro, nosso lateral, que ainda por cima também era sergipano. Aí eu enlouqueci. Eu e o Nando, o centroavante aquele que já jogou aqui, saímos correndo atrás do Lula. Ele correu, correu, conseguiu chegar no túnel e escorregou nas escadas. Dei um soco, mas não acertei porque ele se foi pra baixo.

ZH – Você se irrita muito quando é driblado?

Dinho – Muito. Odeio ser driblado.

ZH – Que tipo de reação você tem ao ser driblado?

Dinho – Levo o drible e já olho feio pro cara. Quando ele tenta me driblar a segunda vez, já dou no meio dele.

ZH – Como aconteceu com o Sávio na primeira partida da final da Copa do Brasil?

Dinho – É. Detesto jogador como o Sávio, que fica fazendo gracinha em vez de dar o drible e seguir em frente, como o Dener fazia. Nesses eu chego mesmo.

ZH – Você sente que o Sávio tem medo de você?

Dinho – Quando chego perto dele, ele já treme.

A briga com Válber, do Palmeiras, não foi esquecida: “Da próxima vez que nos encontrarmos, vou dar uma chegadinha nele”

ZH – Todos são assim? Você fala alguma coisa para eles em campo e, se fala, sente que eles tremem?

Dinho – Falo, sim, mas não são todos que tremem. Muitos não se importam, outros respondem.

ZH – O que você fala?

Dinho – Depende, “toma cuidado”, essas coisas.

ZH – Se você jogasse no Sport, o que faria naquele lance em que o Tinga marcou o gol?

Dinho – Se eu fosse o primeiro marcador já tinha colocado o cotovelo na cara dele. Aí ele não fazia o gol. Era o que eu tinha de fazer.

ZH – Por que “era o que tinha de fazer”?

Dinho – Porque é o que a torcida espera de mim.

ZH – Muita gente fala que, se você estivesse em campo, o Grêmio não levaria 6 a 0 do Goiás. É sobre este sentimento que você se refere?

Dinho – É. Muita gente fala isso, sim. Eu até me assusto. As pessoas vêm falar comigo, perguntar quando eu vou voltar. Será que as pessoas me acham tão importante assim? Será que acham que eu ia fazer 10 gols, ganhar 10 jogos?

ZH – É que você, de certa forma, encarnou o espírito do Grêmio vencedor, não é?

Dinho – Com certeza. Até o presidente Cacalo e o seu Fábio Koff falam que eu sou a cara do Grêmio. E eu me adaptei demais ao estilo do Grêmio. Os clubes que mais gosto são o Sport e o Grêmio.

ZH – E você acha que o Grêmio realmente se sairia melhor se você estivesse em campo?

Dinho – Não sei... Talvez se saísse pior.

ZH – Onde você assistiu àquela partida?

Dinho – Na casa de um amigo. Depois do jogo, ia jantar com a minha mulher, mas desisti, de tão chateado que fiquei. Nem dormi naquela noite. Sempre que perco algum jogo perco também o sono.

ZH – Você tinha como ídolo algum jogador assim como você, de pegada?

Dinho – Não. Quem eu gostava de ver jogar era o Falcão. Uma vez até o Mário Sérgio disse que eu jogava como o Falcão, de cabeça erguida, que matava no peito. Gostei muito de ouvir aquilo.
ZH – Nos outros clubes em que jogou também diziam que você era violento?

Dinho – Só aqui no Grêmio. Acho que é porque é um time do Sul. Mas isso é da posição. Olha o Goiano, ele também dá pau e ninguém fala dele. Olha o Mancuso, o Bernardo, o Axel, todos batem e ninguém fala deles. E todos são da mesma posição.

ZH – Você diria que o volante serve exatamente para isso, para matar a jogada do adversário?

Dinho – Esta é a função do volante, mas eu também gosto de sair para o jogo.

ZH – No Grêmio há você e o Goiano na marcação, no meio, e um dos dois tem sempre que se expor ao drible.

Dinho – É isso mesmo. A gente combina: às vezes, eu dou o bote e me arrisco a levar um drible feio. Aí, ele toma a bola. Às vezes é ele quem dá o bote e eu fico na espera para tomar a bola. Mas tem que ser assim mesmo: alguém tem que se expor.

ZH – E geralmente é você quem mais se expõe.

Dinho – Por isso levo tanto cartão amarelo e vermelho.

ZH – Os juízes o perseguem?

Dinho – Alguns, sim. Alguns até me fazem advertência antes do jogo. Não posso dizer os nomes, claro.

ZH – Certamente, a confusão mais polêmica em que você se meteu foi aquela com o Válber. Como foi aquilo? Ele lhe deu um soco, não é?

Dinho – Me deu um soco no nariz. Eu tava sangrando, no chão, e os jogadores do Palmeiras cercaram o juiz, o Cláudio Cerdeira, que aceitou a pressão e me expulsou. Foi bom eu ser expulso, porque eu ia pegar o Válber de qualquer jeito. Ia mesmo. Aquilo não ia ficar assim. Como eu ia voltar pra casa, olhar pros meus filhos e dizer que tinha apanhado na rua? Ia pegar o Válber nem que fosse no inferno. Aí dei aquela voadora nele e ainda bem que não acertei, porque eu ia matar o cara. Ia matar. Aí não estaria aqui agora, dando entrevista.

ZH – Vocês se falaram depois?

Dinho – Ele pediu desculpa e eu disse que aceitei, mas foi daquele jeito, né...

ZH – Então, na próxima vez que vocês se encontrarem...

Dinho – Da próxima vez que a gente se encontrar vou dar uma chegadinha nele.

ZH – Você planeja começar a correr neste domingo e espera poder jogar já no outro final de semana. O outro final de semana é o do Gre-Nal, um jogo duro por natureza. Seria o melhor tipo de jogo para retornar depois de quase três meses parado?

Dinho – Já joguei muitos clássicos, mas nenhum com tanta rivalidade. O Gre-Nal é um jogo em que ganha quem tem mais garra, determinação, vontade. Talvez eu não esteja com todas as condições, talvez não possa jogar toda a partida. Mas o Gre-Nal é o meu tipo de jogo.

ZH – Você pretende ser técnico depois de parar de jogar?

ZH – O Adílson também quer ser técnico e é um estudioso do futebol, fica vendo fitas de jogos, lendo sobre táticas. Você também faz isso?

Dinho – Não, eu não. O Adílson fica mesmo fazendo isso. Contra o Ajax, no Japão, vivia vendo teipe dos jogos deles, falando sobre como jogavam. Eu, não. Não me importo com isso. Pra mim não tem nenhuma importância quem vai jogar, porque eu não tenho medo.









O que dizer? Simplesmente um mestre do verdadeiro futebol.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Taxidrama.

Odeio andar de táxi. Odeio mesmo. Gosto de caminhar, devagar se não tenho pressa e estou sem nenhum compromisso, rápido se tenho pressa ou estou atrasado, o que acontece com mais frequência; olhar a paisagem, e a 'paisagem', essas coisas. Gosto de caminhar. Evito ao máximo utilizar o ônibus, mas ando quando necessário. Até prefiro uma lotação, mas acho um roubo o preço da lotação, dá quase duas cervejas! Mas os táxis, cara, eu odeio táxi.
Taxistas, na maioria das vezes, são pessoas mal educadas. Notar isso é fácil, através de seus atos no trânsito. Param em cima da faixa, passam no sinal vermelho, andam em alta velocidade, ultrapassam estando em qualquer lado. Mas ai de quem faça qualquer dessas coisas antes deles, terá até a última geração da família amaldiçoada amargamente. Mas com o cliente, são simpáticos, legais, comunicativos, pacientes, incríveis. Ou seja, são uns falsos, sem a menor vergonha na cara. E eu não suporto pessoas falsas, razas, etc.
E então, pra completar tudo isso, nas últimas duas vezes que me vi obrigado a fazer uso de um táxi, tive que sentar no banco da frente. E não é que o banco da frente, em ambos os casos, estava quase nos piscas dianteiros do carro? Sim, todo mundo acha lindo ser alto, ter perna longa e tudo o mais, mas isso é um problema em ônibus, ao menos os de Porto Alegre, e agora, em táxis. Fiquei cinco minutos prensado dentro daquele carro, com os joelhos grudados no porta-luvas. Assim é difícil, como diz o excelentíssimo Maluf, "solidariedade"! Mas, isso só prova que nem adiantaria eu querer deixar de não gostar deles, eles não se esforçam. Não comigo. E, admito, eu sou difícil de conquistar. Mas o filme que fui ver, O Melhor Amigo da Noiva, é legal até. Claro, é uma daquelas clássicas comédias românticas, como o próprio nome sugere, mas até que é legal. Recomendo, para as mulheres.




Ps.: Os posts não têm sido muito comentados, mas eu sei que a minha audiência é ótima, se não quantitativamente falando, ao menos na qualidade.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Lucros e dividendos.

Essas promoções de companhias de telefone móvel. Eu, como usuário, quando beneficiado, logicamente as acho fantásticas. Ótimas mesmo, estou sempre apertando minhas posses quase inexistentes para colocar créditos e mais créditos no meu celular, por que não ser beneficiado por isso de vez em quando?
Mas a coisa é que essas promoções muitas vezes são enganosas. Bom, não oficialmente enganosas, porquê logicamente explicam tudo direitinho em algum lugar com letras minúsculas; mas muitas vezes elas não têm tantos benefícios quanto aparentam. Por exemplo: a operadora da qual sou cliente está com uma promoção que, ao colocar uma quantia "x" de crédito, tu recebes seis vezes o valor "x" como bônus. Porém, ah, porém, esse bônus só pode ser usado em ligação para telefones da mesma operadora.
Ora, eu tenho asco a telefonemas, quem me conhece, sabe disso. Mas sou um enviador de mensagens compulsivo, também. Consequentemente, não seria beneficiado por essa promoção, já que não ligo pra ninguém, quase ninguém me liga e uso todos os meus créditos em mensagens SMS. Mas as minhas duas irmãs cismaram que eu tinha que me cadastrar nessa promoção, mesmo eu tendo lido que precisaria pagar uma taxa de quase doze reais para fazer a adesão. Ora, doze reais em mensagens em troca de sei lá quantos minutos de ligação que não usarei? Nada disso, fico com o que eu uso! Mas elas cismaram, e todo mundo sabe como é mulher quando cisma. Falaram que mesmo que eu não use muito ( eu não uso!), eu sairia ganhando, eu ganharia minutos e minutos de bônus. Achei até que iam me xingar, quiçá me bater por eu não concordar que eu não ganho com algo que não uso.
Mas eu não culpo elas. Porque essa é a sociedade de hoje. O importante é o lucro, é o saldo positivo no fim, não interessa se o lucro tenha sido de cinco ilustres nhonhas. É lucro, isso que importa, consumismo, lucros, ganhos. Mas eu nem sei até que ponto posso criticar isso tudo. Eu mesmo saí de casa ao meio-dia, puto da cara, achando que tava dando tudo errado, o que acho que deu pra notar pelo post anterior a esse. Mas, voltei com um MP4 novinho, um giga de capacidade de armazenamento, meu sonho de consumo há anos, antes era MP3, depois passou a ser MP4, e plim, meus problemas sumiram, as coisas pareceram começar a melhorar e, juro, acho que nesse momento o saldo do dia tá quase zerado. Mas sei lá, eu temo por isso, é cada vez mais algo sistemático, menos humano e mais maquinista, lucre, lucre, lucre. Compre, compre, compre. É exatamente como diz a música que eu tenho que aprender a tocar até sábado: "É tão simples e didático/ Perca menos, ganhe mais/ Esse é o jogo democrático/ O que a maioria quer".






Ps.: Acho que ninguém vai entender a coisa das "nhonhas". Um dia eu explico direitinho.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Má influência.

"Boa Noite e Boa Sorte" o nome do filme, George Clooney (sim, pasme, o garanhão aquele) o diretor. Um ótimo filme, em preto e branco, que trata essencialmente da decadência da Mídia, do Jornalismo, mais especificamente. Fala como, já na década de 50, a imprensa se importava cada vez mais com entretenimento, com diversão, alienação e cada vez menos com os fatos, com a clássica "verdade, doa a quem doer". E infelizmente, os Estados Unidos da América não foram os únicos presenteados com tal dádiva.
Sempre deixei clara minha opinião sobre a imprensa em geral, e especificamente a local, do Rio Grande do Sul. Dificilmente baseio minha opinião única e exclusivamente no que a imprensa diz por isso, por eu já ter presenciado muitos fatos que aconteceram de uma maneira "x", e foram retratados de uma maneira "a". Sim, "a", quando retratados.
Por isso eu acho muito importante ler todos os livros possíveis, de todos os assuntos possíveis, e ainda assim, arranjar tempo para viver as coisas. Porque, infelizmente, não podemos basear nossa sapiência somente naquilo que a imprensa diz hoje. Precisamos viver o momento, presenciar os fatos, buscar outras fontes de conhecimento além da imprensa.
É claro que eu não acho que são todos mentirosos e incapacitados. Existem muitos mentirosos, incapacitados e mal-intencionados, mas sempre existem as excessões da regra.
Limitando-se ao retrato dos fatos dado pela imprensa e de quem vê tudo de fora, não é possível saber dos fatos como eles são, a vida como ela é. Ficamos com uma visão superficial, com a dita "cabeça pequena' diante dos fatos. E sinceramente, já bastam para a sociedade os atuais ignorantes do jornalismo (que são os piores, pois têm acesso à informação e fazem mau uso dela) e os ignorantes que são resultado do atual sistema da gloriosa civilização, que mal têm acesso a comida, quanto a informação então, nem se fala. Mas isso já é outra história, talvez um outro post.



Ouvindo: Locomotores - Nessa Vida

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O nosso futuro?

Então, nesse momento eu deveria estar tomando banho, pra ir no banco, depois pagar umas contas, voltar, lavar a louça, cozinhar, enfim, essas coisas que a gente tem que fazer quando não tem mais a mãe pra fazer tudo pela gente. Mas antes disso eu parei pra ver um vídeo que uma amiga falou pra eu ver e, obviamente pra quem ver o vídeo, fiquei estagnado. Comecei a pensar no contexto dessa música, aquela coisa de Woodstock, todo aquele movimento contra a guerra e tudo o mais, e voltei para o presente, pensando se ainda existirá algo parecido nos tempos atuais ou daqui a alguns anos.
Eu, pelo menos, fui criado ouvindo histórias dos meus pais dos momentos hippies deles, e depois de protesto contra as coisas erradas no país, os pais que viveram e sobreviveram à cena punk de Nova Iorque certamente contam ótimas histórias aos seus filhos sobre a revolução que causaram na sociedade, as mulheres que participaram do movimento feminista devem contar às suas filhas (sim, porque imagino que as feministas não tenham filhos, só filhas) sobre as suas lutas e conquistas, assim como há um tempo atrás os guascas que participaram da Revolução Farroupilha devem ter contado, com orgulho, para os seus bacuris as suas peripécias contra os caramurus. Mas alguém consegue pensar nos jovens dos tempos atuais, que têm dentre quinze e vinte e cinco anos, digamos, contando para os seus filhos e netos sobre algo revolucionário que fizeram na sua juventude?
Sim, porque o máximo que vão ter pra contar vai ser como revolucionaram usando maquiagem que deveria ser do outro sexo. Como revolucionaram sentados na frente da tv sem opinião alguma. Como revolucionaram comprando o celular com mais tecnologia. Como revolucionaram com o seu tênis que custou algo absurdo. Como revolucionaram os penteados, as roupas, os celulares, as poses. Eu olho pra minha geração e só vejo isso. Futilidade. Talvez eu seja muito pessimista, mas com raras exceções, que eu tive uma tremenda sorte de conhecer, eu faço parte da Geração Fútil. Mais do que nunca.
O máximo de revolucionário que vou poder contar pros meus netos parece que vai ser a revolução feita nas arquibancadas pela torcida do meu time, e mesmo que tenha sido A Revolução neste campo, nem se compara às outras. Mas quem sabe a coisa não muda, quem sabe não surgem Janis Joplins, Johns Lennons, DeeDees Ramones, Jimis Hendrixs e afins nos próximos tempos?




Ps.: Adivinhe se nesse meio tempo em que fiquei aqui, não começou a chover mais forte, para a minha tremenda sorte?

quarta-feira, 30 de abril de 2008

É prostituto.

Qual profissional hoje é diferente das prostitutas? Atualmente, são todos iguais. Quem pagar, tem o meu trabalho. Não existe preferência. Não interessa mais nada, só a graninha na conta no fim do mês. Dane-se a ética, dane-se a vontade própria, dane-se a própria opinião. Aliás, existe opinião própria atualmente?
Mas eu não tenho a menor dúvida de que, nos tempos atuais, o setor em que isso ocorre e que mais me incomoda é, naturalmente, o futebol. Não existem mais Adílsons, Dinhos, De Léons, Portaluppis no meu time. Poucos chegam próximo a isso, e quando chegam, cartolas fazem de tudo pra que se afastem dessa idéia insana. Profissionalismo, minha gente.
Mas então, em um belo domingo de total ressaca, acordo às quatro da tarde e vou ao computador. Secar o outro time da cidade? Pinóia, vou é fazer algo que preste. E eis que me deparo com o maior ídolo da minha infância, Mario Jardel Ribeiro, dando uma entrevista emocionante, declarando que chegou ao fundo do poço e que quer se recuperar. E pedindo ajuda aos seus dois clubes do coração, o navegador português e, óbvio, o glorioso Tricolor Gaúcho, ao qual ainda presta uma homangem vestindo a camiseta do clube e cantando o seu hino com muito orgulho. Quantos tem a história dele em um time brasileiro hoje em dia? Quantos tem a moral que ele tem no Grêmio? Atualmente, pouquíssimos. E até por isso, penso que ele merece uma chance, um suporte do clube para se recuperar. Afinal de contas, ele é uma espécie em extinção. Ele é um jogador de futebol de verdade, um ser humano, que ama um time e não gosta de outros. Um homem, afinal, não um robô profissional.
Mas eis que eu tenho que ler na imprensa nacional que aquele político gordo filho de uma puta que está afundando o Grêmio neste ano queria o Jardel de dez anos atrás, não o de agora, e que o Grêmio não é spa. Duas observações deste que escreve:
Primeiro: pra Amoroso e Kelly, jogadores sem a menor história no Grêmio ou qualquer outro clube, serviu de spa, mas não pode servir de suporte para um dos maiores ídolos da história do clube, maior inclusive que este gordo mesquinho?
Segundo: Eu também quero o presidente de 13 anos atrás, não o atual, obrigado.
Mas eu não sei porque eu me surpreendo com coisas assim, em época em que o adjetivo "prostituto" (?) é tido como elogio por homens (?²) do país.
Estão extinguindo a essência do futebol, a paixão, o fanatismo, a selvageria. O homem apaixonado por seu clube. A cerveja nos bares dos estádios. Agora há prostitutas robôs jogando, não há mais cerveja nos estádios e políticos safados mandam no clube e menosprezam ídolos históricos em detrimento da opinião dos verdadeiros donos do clube, os torcedores. E no momento não consigo fazer mais nada além de escrever estas linhas tortas que não sei se alguém vai ler e provavelmente ninguém vai comentar, e continuar bebericando este belo vinho argentino. Que merda. Mas já disseram os visionários Replicantes, "a vida começa aos trinta". Ou seja, ainda tem muita merda pela frente.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Meras divagações.

Certa vez eu vi em um filme, se não me engano no genial 'EdTV' ou qualquer desses filmes protagonizados pelo Matthew McCounaghey, que quando três pessoas diferentes te dizem uma coisa sobre a tua pessoa, isso acaba se tornando/provando ser real. No caso do filme, chamavam ele de idiota ou qualquer boçalidade do tipo.
Mas então, entrei no assunto porquê algo meio que me incomoda. Sabe quando te dizem que tu és bom demais para fazerem o que fizeram contigo? Pois então. Me falaram. Me falaram e me falaram. E fizeram, fizeram e fizeram. Não necessariamente três vezes, quiçá umas três ou nove. Mas a questão é, se me falam isso, se diferentes pessoas me falam que tenho assim tantos atributos, e eu continuo batendo a cara no muro, o que está acontecendo? Eu sou bom demais para todo mundo? Devo eu virar monge? Devo eu me dedicar mais do que nunca a bebedeiras, putarias e coisaradas do tipo? Fico com a última opção.
E por que diabos as redes de tevê aberta insistem nos filmes dublados? É notório que, no mínimo, 60% da população prefere legendados, então, POR QUÊ??? No mínimo é pra manter a audiência medíocre das novelas e deixar de dar um pingo de cultura aos filmes escrotos que passam nas suas programações.



Só pra constar, bom humor é o que liga.

sábado, 15 de março de 2008

Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...


[Mário Quintana]


E não é que esse senhor sabia das coisas mesmo?
Calma lá, ainda tenho minhas ressalvas com 'essas coisas'. Mas andei lendo algumas coisas do citado autor e achei muito interessantes. Recomendo!

terça-feira, 11 de março de 2008

Tá legal, falei que ia chutar o balde, e vou mesmo.

"Frescuras do bem"




PELO AMOR DE DEUS! NÃO ESTRAGUEM O NOSSO TEMPLO SAGRADO!
Por favor! Estádio de futebol TEM que ter bagaceirice! Deixemos bem claro, nunca fui contra mulheres no estádio, minha irmã sempre foi comigo aos jogos, desde quando comecei a ir, em 1994/1995. Mas ela nunca teve essas frescuras descritas na reportagem acima ou nas outras reportagens da mesma matéria. Cara, como que tu vai ver o juiz roubando o teu time do coração e não vai chamar ele de safado filho de uma puta? Como que tu vai ver um atacante adversário de frescurinha dentro da tua casa (mulheres que não sabem disso, acordem, o estádio do time é sim uma segunda casa para alguns) e não vai gritar pro volante de contenção do teu time: "DÁ NO MEIO DESSE VIADO!" Não existe isso! Isso é o futebol, meu amigo! É a bagaceirice, a cerveja às vezes quente, eventuais tumultos, é xingar até a última geração do rival. É mandar o cara dar no joelho do fresco que tá de driblezinho contra o teu time, ou dar risada na cara do adversário quando um jogador do time dele leva aquele baita drible. É SELVAGERIA, MINHA GENTE!
Então, por favor, depois de terem nos submetido à civilização, não venham querer nos tirar o único resquício de selvageria que nós conseguimos alcançar. Já nos tiraram tudo, TUDO, isso não!
Esse post é por mais bagaceirice no futebol e muitos banheiros quebrados e sujos, afinal de conta, só uma mulherzinha mesmo pra ir a um jogo de futebol e ter que ir no banheiro, não conseguir esperar até chegar em casa. E isso que, supostamente, os homens é que se enchem de cerveja!
Mas é isso aí, por um futebol menos fresco e mais bagaceiro.

Por que o desespero?

Então, qual é a dessa coisa de ter compromisso? Ter alguém fixo, andar de mãozinha por aí, ir ao cinema e depois jantar juntos, enfim, fazer programas juntos, dentre outras coisas. Isso é um namoro, certo? Mas, existe alguma coisa, fora o primeiro item, que não dê pra fazer sem a parte estressante do namoro? Os ciúmes, as discussões de relação, o policiamento, a coleira segurando, todas essas coisas dispensáveis, POR QUE as pessoas insistem nisso?
E o pior, ai de quem diga que não é isso o que procura! Mas, é um caso sem salvação, um galinha, calhorda, sem vergonha, enfim, é como todo homem: não presta. Sim, as mulheres que prestam, ha ha ha.
Mas então, não digo que eu, particularmente, nunca vou namorar. Certamente um dia eu vou conhecer uma guria muito legal, bonita, compatível com a minha pessoa com quem terei vontade de ter uma coisa mais séria, duradoura e essas coisas. Mas coisa é: se eu ainda não achei essa pessoa, se as pessoas ainda não acharam, por que elas insistem em querer namorar com um qualquer? Por que tanto stress, se no fim é por nada?
E pior que é sempre a mesma coisa. Verão chegando? Carnaval? Puxa, estamos em crise, eu não tô bem. Preciso de um tempo. HA HA HA. É claro, ninguém vai falar que quer deixar a comodidade de ter alguém sempre ali, esperando o momento que esse alguém vai voltar, para fazer umas putarias. Porque, afinal, é tempo de putaria, mas depois, quando o inverno voltar, quando a rotina cair sobre a sua cabeça e ele voltar a realidade, ele vai querer a comodidade de volta, nada de putaria. Claro que ninguém admite. Aliás, quase ninguém. Quem admite? O galinha, calhorda, o caso sem volta.
Eu quero dizer que sinceros mesmo são os galinhas? Nããão. Nada disso, eu acho que existem sim muitos românticos de verdade que gostam de namorar. Eu, um dia fui muito romântico. Agora não sou mais? Olha, acho que até sou, mas essa parte de mim tá bem guardada. Não digo que aprendi a não ser romântico e voltar a ser solteiro (porque existe uma grande diferença entre estar e ser solteiro). Mas aprendi a não dispender do meu romantismo com a primeira que encontro. Acho que essa é a questão. O mundo seria muito melhor se as pessoas não dessem o que de melhor têm pro primeiro que aparece, se fossem um pouco mais solteiras, se rolasse um pouco mais dos gloriosos tempos do Neaderthal e a já então gloriosa filosofia do "Ninguém é de Ninguém". Ou não, quando vê eu só estou tentando justificar minha galhardisse. Vai saber.