terça-feira, 31 de março de 2009

Otimismo.

Me perguntam por que sou tão pessimista. Vamos dar uma olhada no site do jornal mais conceituado do estado:

Miss Universo se diverte em Guantánamo
Visitas de celebridades fazem parte de um projeto para animar os soldados que prestam serviço ao país


(puxa, os presos devem ter se divertido muito mais!)


Pato sonha em marcar
gol pelo Brasil no Beira-Rio

Torcedoras viajam 60km para encontrar Pato e Kaká
Jogadores do Milan são os preferidos pelas mulheres que frequentam o hotel da Seleção


(É pra eu sentir vergonha alheia ou só pra me irritar mesmo?)


VÍDEO: torcedor se veste de verde e amarelo e faz plantão na entrada do hotel
Noé Fernandes foi ao aeroporto no início da madrugada para tentar ver seus ídolos


(não vou me dar o trabalho, repito o comentário anterior)



VÍDEO: com que roupa
você vai ao jogo do Brasil?


(primeiro: quem vai ao jogo do Brasil ainda? segundo: quem se preocupa com que roupa vai em um jogo de futebol??? pelamor, é jogo de futebol ou aquele evento do shopping da zona nobre da cidade?)



Gabriel García Márquez não voltará a escrever, diz agente literária
No mês passado, durante a Feira do Livro de Guadalajara, escritor chegou a declarar que "escrever livros dá trabalho"


(pronto, só isso bastaria pra acabar com a noite!)



Só notícias interessantes ou boas, sensacional. Mas enfim, felicidade, minha gente! Vamos socar o Peruduplosentidooi?.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Gregório Beheregaray, 3510

Vez que outra, vejo uma foto, escuto uma música ou qualquer outro acontecimento aparentemente corriqueiro e me lembro da minha infância na casa da minha vó. Acho que todo mundo já ouviu a história de que guri criado pela avó vira viado. Deve ser folclore nacional, quiçá mundial. Mas as pessoas pensam isso por não terem conhecido minha avó materna, a senhora Ramona, Dona Cota pra quem trocar meia dúzia de palavras com ela.
Não que ela seja má. Não sempre, pelo menos. Mas ela tem uma personalidade um tanto quanto... áspera, por assim dizer. Ela tinha seus momentos de vó bondosa, fazendo um pão caseiro servido com café com leite que era incomparável. Mas ela também sempre soube ser severa. Muito severa, diga-se de passagem.
Naturalmente, de maneira alguma isso fez com que eu fosse uma criança mais comportada. Parecia ser pior, quanto mais laço de cinto eu levava, mais eu aprontava. E, juro, não era provocação! Mas, é isso que as crianças fazem, não é? Cair de árvores, levar pedradas, dar cambalhotas montando uma bicicleta emprestada, perder metade dos dentes da frente caindo de um muro; enfim, essas coisas que uma criança saudável faz.
Falo sobre tudo isso porque parece que caiu a ficha de que vivo uma nova era e sou obrigado a cair no clichê ao pensar nisso tudo. Eu era extremamente feliz e não sabia. Agora checa-se e-mail do trabalho durante a comemoração, in loco, da conquista de um título do teu time do coração. Só se ouve e lê a expressão punk em dicas de moda. Sertanejo, pagode e Ivetão, juntos, são as principais atrações do Planeta Atlântida. Bons tempos aqueles da Gregório Beheregaray, do Rivarola, de Ramones nas rádios e Raimundos no Planeta.

Incômodo

Receber a notícia de que um familiar próximo está com uma doença terminal é algo que não pode ser descrito com palavras, acredito. Pelo menos não com poucas palavras. Seria preciso um livro, talvez uma trilogia e ainda assim faltariam coisas. Mas, obviamente, tal fato traz consigo inúmeros outros fatos menores que são muito incômodos.

Uma das coisas que mais me incomoda são as visitas. Aquelas pessoas que não falam com a pessoa em questão há anos, mas ao saber da doença, resolve fazer uma inocente visita. Podem argumentar que querem dar conforto para o doente, coisas do tipo. Isso não me convence.

Acredito que não passe de um exercício para garantir o próprio bem estar futuro. Para não ficar com um peso na consciência, ao receber a notícia de que acabou o sofrimento, por não ter dado mais atenção para a pessoa enquanto ela era vívida, fazem a tal visita achando que isso melhorará tudo. A grande hipocrisia da sociedade. Ou simplesmente do ser humano.

Talvez seja mero mau humor meu, coisa de velho ranzinza, mas não consigo pensar outra coisa. Não consigo não me incomodar. Por essas e outras que prefro, na maioria das vezes, evitar as conveniências e seguir minha própria consciência. E ainda assim, não posso deixar de pensar que me irrito tanto com isso pra poder me ocupar só com esse fato menor, em vez de pensar no principal fato...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Beleza pura.

O jornaleiro aqui da esquina da minha casa é gremista. Um negro magro, mais ou menos metro e oitenta de altura, extrovertido daquele jeito que parecem só os negros saberem ser. Sempre que passo por ele quando vou pra faculdade, ele me cumprimenta comentando algo sobre a rodada que passou e coisas do tipo. Essa manhã, vi de longe ele encostado no poste olhando os próprios pés. Estava extremamente cabisbaixo. Antes mesmo de ele me cumprimentar de maneira triste, essa visão já acabou com o meu dia.
Mas o que me incomoda mais não é o fato de o Grêmio ter sido apático por boa parte do jogo; o juiz ter roubado de maneira descarada, depois de o mesmo ter acontecido no jogo contra o CAP e terem também garfeado o Náutico no jogo contra a Traffic; termos tomado tantos gols pela primeira vez, no nosso próprio salão de festas nem qualquer fato do gênero.
Nada disso me incomoda mais do que o fato de eu não estar lá. Naquele que talvez tenha sido o jogo mais importante do ano, quando o time mais precisou de mim, eu não consegui me fazer presente. Sei que não tenho tanta culpa, fiz o que pude. Estava no Olímpico até o último segundo antes de a escolta sair rumo ao aterro, tentando ingresso. Mas não deu, e o meu primeiro Gre-nada auei longe do estádio, resulta em uma redundante derrota. Tem como não se sentir culpado? Essa será, provavelmente, uma daquelas máculas carregada por muito tempo.
Mas o alento é que ainda somos líderes, por mais que todos os jornais de todos os lugares atentem pra liderança – dividida com o Grêmio – da Traffic. Ontem eu vi aqueles jornalistas que nunca chutaram uma bola, que nunca pisaram em uma arquibancada, falarem bobagens de todos os tipos. Desde indagações sobre a possibilidade do SC 2006 chegar a frente do Grêmio, até o suposto fato de os torcedores marginais tricolores serem culpados por, mais uma vez, sofrerem com a truculência e falta de preparo da brigada militar. Mas nada disso importa. O Grêmio vai levar essa taça.

P.s.: Não é só um jogo. Argentina x Brasil, Inglaterra x Argentina, Itália x Alemanha, Irã x Iraque, Palmeiras x Corinthians, Manchester United x Manchester City, Rangers x Celtic, todos esses, são só jogos. Joguinhos inocentes. Mas quando é o Grêmio em campo, é diferente. Muito diferente. Vocês gostam de futebol, nós amamos o Grêmio!


P.p.s.: Desde 2006 não eram vistos!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Tentei, mas não consegui.

Eu não ia escrever mais sobre política nesse blog. Tinha um acordo comigo mesmo de que não mais o faria, por ser algo dispensável, nesse espaço. Ninguém se interessa em ler sobre política, e mais, raramente uma pessoa muda as suas opiniões quando se trata de política.
Mas eis que me vem a luz. A Luz, eu diria. Descobri o problema do povo, do país, quiçá do mundo: o modo como as pessoas enxergam as eleições. Atualmente, e principalmente no Brasil, as pessoas vêem nas eleições uma oportunidade pessoal. Seja diretamente, através de favores políticos, comida para a família se alimentar, um emprego no futuro; ou pela forma como a pessoa raciocina na hora de escolher o seu candidato mesmo.
A questão é que as pessoas, pelo que eu vejo no meu dia-a-dia, só se importam com qual candidato lhe favorecerá, direta ou indiretamente. Mas aqueles que pensam realmente em qual candidato vai ser melhor no geral, para o seu estado, cidade, bairro ou até mesmo cidade, são raros. Isso não importa. Até porque parece um benefício tão distante, que é difícil importar mesmo.
Mas acredito que até esse problema, seja algo indireto. Por que qual seria a solução para esse problema? Educar os cidadãos, ensinar como as coisas funcionam, proporcionar informações para os mesmos. Ou seja, no fim das contas, o verdadeiro problema do país é realmente a educação. Puxa vida, acho que descobri a roda.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Mi hermano del alma.

É normal alguém procurar seus amigos mais próximos pra falar dos seus problemas, muito normal. Eu faço isso. Só que eu sempre cuido pra perguntar também como esse amigo próximo está, se ele não tem também problemas pra compartilhar comigo.
Acho que eu sou mal acostumado. Sempre tive uma família inteira na volta. Mesmo com os meus pais compreensivelmente muito ocupados, eles se faziam presentes. E quando eles não podiam, sempre tinha meus irmãos para compartilhar a alegria mais banal e a tristeza mais profunda.
E agora, tenho que me acostumar a não ter isso. Sinto falta principalmente na mesa, que era quando todos nos reuníamos para falar das coisas do cotidiano, das notícias, das tragédias trazidas quentinhas pela minha avó e et caterva.
Por que estou escrevendo isso? Amanhã é aniversário do meu irmão caçula e acho que pela primeira vez, em anos, passarei essa data longe dele.
É praticamente uma vida inteira, com exceção de alguns anos da minha infância em que morei no interior com a minha vó e minha irmã. Uma das pessoas mais importantes na minha vida, que eu me acostumei a sempre ter por perto. Acho que ajudei a ensinar ele a jogar bola, a ter hombridade, a amar o Grêmio como se deve realmente amar esse time espetacular, dentre outras coisas talvez não louváveis que é melhor não citar.
A saudade que sinto dele, assim como da minha mãe, é simplesmente indescritível. Tudo o que eu queria era poder abraçar ele e dizer o quão importante ele é e foi na minha vida; que desejo tudo do melhor pra ele mesmo, todas as experiências válidas, mesmo que eu não possa estar junto dele como queria no momento em que ele as aproveitar. Todas essas coisas que só dá pra dizer pra um irmão, que é ao mesmo tempo melhor amigo, melhor parceiro, um dos orgulhos da tua vida.
Mas, ao invés disso, tenho que me contentar em "só" escrever. E comer sozinho, com a companhia única e exclusiva de Drácula de Bram Stocker. Mas não tem problema, tenho confiança de que será um daqueles males que vêm para o bem.
Enfim, à saúde e felicidade do cara, o meu irmão!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dessa vez, me renderei.

Só dessa vez. Todo mundo sabe da minha ojeriza para com a emissora de televisão Globo, e consequentemente com a RBS. Mas acabo de ler o trecho de uma reportagem sobre a partida disputada entre Grêmio e Vitória neste domingo, dia três de agosto, que me emocionou. E muito. Segue o trecho:


"O time dava segurança, criava chances e não dava muito espaço ao Vitória. A certa altura do segundo tempo, por exemplo, (a torcida) desatou a cantar o Hino Rio-grandense. Assim, do nada. A Geral deu o tom e, logo, o estádio inteiro se enchia do orgulho farroupilha. Lembram de quando isto acontecia sempre? Nos tempos de Luiz Felipe. Não que seja o caso de comparar, mas o gremista está particularmente orgulhoso, esta é a questão. Outro exemplo: a milagrosa defesa de Victor no cabeceio de Leonardo Silva, com a mão esquerda, após cobrança de escanteio."


Pode parecer bobagem, quase idiotisse. Mas quem viveu os tais "tempos do Luiz Felipe", sabe o que era aquilo. Finalmente uma boa sensação toma conta. Tomara que não seja alarme falso.




Link da matéria.