segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Beleza pura.

O jornaleiro aqui da esquina da minha casa é gremista. Um negro magro, mais ou menos metro e oitenta de altura, extrovertido daquele jeito que parecem só os negros saberem ser. Sempre que passo por ele quando vou pra faculdade, ele me cumprimenta comentando algo sobre a rodada que passou e coisas do tipo. Essa manhã, vi de longe ele encostado no poste olhando os próprios pés. Estava extremamente cabisbaixo. Antes mesmo de ele me cumprimentar de maneira triste, essa visão já acabou com o meu dia.
Mas o que me incomoda mais não é o fato de o Grêmio ter sido apático por boa parte do jogo; o juiz ter roubado de maneira descarada, depois de o mesmo ter acontecido no jogo contra o CAP e terem também garfeado o Náutico no jogo contra a Traffic; termos tomado tantos gols pela primeira vez, no nosso próprio salão de festas nem qualquer fato do gênero.
Nada disso me incomoda mais do que o fato de eu não estar lá. Naquele que talvez tenha sido o jogo mais importante do ano, quando o time mais precisou de mim, eu não consegui me fazer presente. Sei que não tenho tanta culpa, fiz o que pude. Estava no Olímpico até o último segundo antes de a escolta sair rumo ao aterro, tentando ingresso. Mas não deu, e o meu primeiro Gre-nada auei longe do estádio, resulta em uma redundante derrota. Tem como não se sentir culpado? Essa será, provavelmente, uma daquelas máculas carregada por muito tempo.
Mas o alento é que ainda somos líderes, por mais que todos os jornais de todos os lugares atentem pra liderança – dividida com o Grêmio – da Traffic. Ontem eu vi aqueles jornalistas que nunca chutaram uma bola, que nunca pisaram em uma arquibancada, falarem bobagens de todos os tipos. Desde indagações sobre a possibilidade do SC 2006 chegar a frente do Grêmio, até o suposto fato de os torcedores marginais tricolores serem culpados por, mais uma vez, sofrerem com a truculência e falta de preparo da brigada militar. Mas nada disso importa. O Grêmio vai levar essa taça.

P.s.: Não é só um jogo. Argentina x Brasil, Inglaterra x Argentina, Itália x Alemanha, Irã x Iraque, Palmeiras x Corinthians, Manchester United x Manchester City, Rangers x Celtic, todos esses, são só jogos. Joguinhos inocentes. Mas quando é o Grêmio em campo, é diferente. Muito diferente. Vocês gostam de futebol, nós amamos o Grêmio!


P.p.s.: Desde 2006 não eram vistos!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Tentei, mas não consegui.

Eu não ia escrever mais sobre política nesse blog. Tinha um acordo comigo mesmo de que não mais o faria, por ser algo dispensável, nesse espaço. Ninguém se interessa em ler sobre política, e mais, raramente uma pessoa muda as suas opiniões quando se trata de política.
Mas eis que me vem a luz. A Luz, eu diria. Descobri o problema do povo, do país, quiçá do mundo: o modo como as pessoas enxergam as eleições. Atualmente, e principalmente no Brasil, as pessoas vêem nas eleições uma oportunidade pessoal. Seja diretamente, através de favores políticos, comida para a família se alimentar, um emprego no futuro; ou pela forma como a pessoa raciocina na hora de escolher o seu candidato mesmo.
A questão é que as pessoas, pelo que eu vejo no meu dia-a-dia, só se importam com qual candidato lhe favorecerá, direta ou indiretamente. Mas aqueles que pensam realmente em qual candidato vai ser melhor no geral, para o seu estado, cidade, bairro ou até mesmo cidade, são raros. Isso não importa. Até porque parece um benefício tão distante, que é difícil importar mesmo.
Mas acredito que até esse problema, seja algo indireto. Por que qual seria a solução para esse problema? Educar os cidadãos, ensinar como as coisas funcionam, proporcionar informações para os mesmos. Ou seja, no fim das contas, o verdadeiro problema do país é realmente a educação. Puxa vida, acho que descobri a roda.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Mi hermano del alma.

É normal alguém procurar seus amigos mais próximos pra falar dos seus problemas, muito normal. Eu faço isso. Só que eu sempre cuido pra perguntar também como esse amigo próximo está, se ele não tem também problemas pra compartilhar comigo.
Acho que eu sou mal acostumado. Sempre tive uma família inteira na volta. Mesmo com os meus pais compreensivelmente muito ocupados, eles se faziam presentes. E quando eles não podiam, sempre tinha meus irmãos para compartilhar a alegria mais banal e a tristeza mais profunda.
E agora, tenho que me acostumar a não ter isso. Sinto falta principalmente na mesa, que era quando todos nos reuníamos para falar das coisas do cotidiano, das notícias, das tragédias trazidas quentinhas pela minha avó e et caterva.
Por que estou escrevendo isso? Amanhã é aniversário do meu irmão caçula e acho que pela primeira vez, em anos, passarei essa data longe dele.
É praticamente uma vida inteira, com exceção de alguns anos da minha infância em que morei no interior com a minha vó e minha irmã. Uma das pessoas mais importantes na minha vida, que eu me acostumei a sempre ter por perto. Acho que ajudei a ensinar ele a jogar bola, a ter hombridade, a amar o Grêmio como se deve realmente amar esse time espetacular, dentre outras coisas talvez não louváveis que é melhor não citar.
A saudade que sinto dele, assim como da minha mãe, é simplesmente indescritível. Tudo o que eu queria era poder abraçar ele e dizer o quão importante ele é e foi na minha vida; que desejo tudo do melhor pra ele mesmo, todas as experiências válidas, mesmo que eu não possa estar junto dele como queria no momento em que ele as aproveitar. Todas essas coisas que só dá pra dizer pra um irmão, que é ao mesmo tempo melhor amigo, melhor parceiro, um dos orgulhos da tua vida.
Mas, ao invés disso, tenho que me contentar em "só" escrever. E comer sozinho, com a companhia única e exclusiva de Drácula de Bram Stocker. Mas não tem problema, tenho confiança de que será um daqueles males que vêm para o bem.
Enfim, à saúde e felicidade do cara, o meu irmão!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dessa vez, me renderei.

Só dessa vez. Todo mundo sabe da minha ojeriza para com a emissora de televisão Globo, e consequentemente com a RBS. Mas acabo de ler o trecho de uma reportagem sobre a partida disputada entre Grêmio e Vitória neste domingo, dia três de agosto, que me emocionou. E muito. Segue o trecho:


"O time dava segurança, criava chances e não dava muito espaço ao Vitória. A certa altura do segundo tempo, por exemplo, (a torcida) desatou a cantar o Hino Rio-grandense. Assim, do nada. A Geral deu o tom e, logo, o estádio inteiro se enchia do orgulho farroupilha. Lembram de quando isto acontecia sempre? Nos tempos de Luiz Felipe. Não que seja o caso de comparar, mas o gremista está particularmente orgulhoso, esta é a questão. Outro exemplo: a milagrosa defesa de Victor no cabeceio de Leonardo Silva, com a mão esquerda, após cobrança de escanteio."


Pode parecer bobagem, quase idiotisse. Mas quem viveu os tais "tempos do Luiz Felipe", sabe o que era aquilo. Finalmente uma boa sensação toma conta. Tomara que não seja alarme falso.




Link da matéria.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Brilhante!

O filme Batman - The Dark Knight é realmente brilhante. E eu não digo pelas coisas exaustivamente já elogiadas em todos os lugares, como a atuação de Heath Ledger que de fato rouba a cena, os ótimos efeitos, fotografia e maquiagem, o bom desenvolvimento da história que permitiu que até a minha mãe achasse ótimo, enfim, todas essas coisas elogiáveis. Mas o que realmente me agradou foi a mensagem com embasamento anarquista do filme.
Claro que do diálogo entre os personagens Coringa e Duas Caras, muita gente tirou a conclusão de que o anarquismo é algo dispensável, que só gera confusão, caos e mortes e não deve ser levado a sério. Mas os realizadores do filme e talvez o próprio autor das HQ's - quanto a isso não posso afirmar nada com alguma certeza, pois infelizmente nunca me dediquei à leitura de nenhuma História em Quadrinho - conseguiram, de forma extremamente sutil, passar uma mensagem anarquista positiva.
Muita gente não sabe, mas muitos crêem no anarquismo como um estado passageiro para finalmente chegar ao ponto ideal de convívio. Só a partir do caos total e de um início realmente do zero poderíamos corrigir inúmeros erros que cometemos em um ciclo vicioso. Claro que o vilão, por ser justamente um vilão, não esperava que o caos passasse. Mas em mais de um momento, personagens aparentemente secundários deram a entender que é necessário uma piora gradativa antes de melhorar verdadeira e essencialmente. É um filme praticamente positivista!
Enfim, além de um ótimo filme para família, para cinéfilos, fãs do Batman, ainda traz algumas mensagens para reflexão. Brilhante! Vale cada centavo investido para assisti-lo, mas ainda assim temo pelo resultado de uma versão dublada futuramente apresentada em algum canal da rede aberta de televisão.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Quando as coisas estão saindo erradas...

Tinha um post descente em mente, em que eu citaria algumas palavras de Michelet sobre a importância do arquivista e da História, de como ela se repete e etc. Ando meio mau humorado mas resolvi escrever pra ver se isso passava, essas coisas. Mas, é claro, quando procurei no livro em que li tais palavras, não as encontrei de jeito nenhum! Aposto que daqui uns dias as encontrarei.
A partir destas palavras, ia comentar que a história normalmente se repete - tema que por sinal é abordado de maneira extraordinária no ótimo livro Cem anos de solidão, do Gabriel García Márquez - e citar alguns exemplos disso, essas coisas.
Claro, pode-se argumentar que se a pessoa quiser ela pode evitar que se repita, que cada pessoa faz o seu destino e toda essa conversinha típica de filme positivista holywoodiano. Mas na realidade isso parece estar meio fora do alcance em alguns momentos. Aquela hora que tu consegue ver que é algo que já aconteceu antes e que se deixar acontecer de novo, vai dar errado de novo, mas mesmo assim parece impossível de impedir que aconteça.
Dessa vez, não tenho nenhuma idéia mirabolante pra superar isso. Não sei mesmo. Muito menos tendo que ver a Globo falando do supervalorizado Flamengo do "Galinho" com nostalgia, o mesmo time que foi sumariamente massacrado pelo time do Grêmio que conquistou tudo na década de oitenta, sem ajudas alheias e que merecia reconhecimento da emissora antes citada por estar prestes a comemorar os 25 anos de conquista da América. Tudo bem, aí já é pedir demais, mas será que é demais esperar que eles não fizessem isso e mais, que não emendassem um comentário lamurioso porque o triatleta Robinho não vai para as Olimpíadas de Pequim? Como me preocupa a ausência dele nesse momento.
Enfim, pra não jogar uma idéia fora, vou colocar pra encerrar esse post o que eu tinha em mente pra encerrar aquele post que eu citei algumas linhas acima.


Quem furta pouco é ladrão
Quem furta muito é barão
Quem mais furta e esconde
Passa de barão a visconde

Em tempos de escândalos de todos os tipos, de homenagem da Câmara dos Vereadores a um prostíbulo, de alianças de ex-PFL com PC do B, dá pra adivinhar que esses versos são do século XIX, com relação ao estranho critério utilizado para conceder títulos de nobreza para alguns cidadãos?


Oh no, it happened again
She's cool she's hot she's my friend



Errar é humano. Mas insistir no erro...